SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA. O SAIRÉ DE ANTES E O QUE VOCÊ CONHECE AGORA.

O SAIRÉ JÁ FOI PROIBIDO. VOCÊ SABIA?

Quando os portugueses encontraram Alter do Chão o Sairé já acontecia. Era bem diferente da configuração que a gente conhece hoje, mas sempre teve adesão do povo local - o povo Borari. Com a chegada dos jesuítas, a festa que era puramente indígena, começou a sofrer interferências da igreja católica que tinha a intenção de catequisar os nativos de Alter do Chão. Com o passar do tempo, elementos do rito católico passaram a fazer parte do Sairé como forma de aproximação entre igreja e indígenas. 


Dona Sabina, importante liderança dentro da Vila, era uma guardiã importante das tradições do Sairé e exercia papel importante dentro da comunidade. Além de preservar os ritos da festa, Dona Sabina representava a força e o posicionamento político dos nativos frente às influências externas.

Ainda são muito confusos os relatos sobre a proibição, pois existem duas versões: a do povo e a da Igreja. 

Em 1943, o Sairé passou a ser considerado uma manifestação religiosa proibida. As folias, as rezas e o tarubá foram suspensos.

TRINTA ANOS SEM O SAIRÉ 

Oficialmente, trinta anos sem cores, sons e nem ritos. O Sairé adormeceu num sono de sufocamentos e silenciamentos que arrancou dos Boraris a alegria de festejar. A festa de Nossa Senhora da Saúde e os festejos a São José seguiram no ritmo normal e ganharam muitos devotos. Porém, quem ficava saudoso de Sairé, se via obrigado a participar de festas de santo no entorno da Vila. Alguns deles são: São Tomé, Santíssima Trindade, Divino Espírito Santo e Santo Antônio. Além dessas festas, também aconteciam encontros na Comunidade do Laranjal no período em que aconteceriam os ritos do Sairé. Uma espécie de festejo sem os elementos que constituíam a festividade, porém um encontro de pessoas que se reconheciam no Sairé.

O SAIRÉ A PARTIR DE 1973

Trinta anos após a suspensão, por vontade popular, renascia o Sairé em Alter do Chão. Um grupo liderado por Eunice Sardinha, Luzia Lobato, Terezinha Lobato, Argentino Sardinha, dentre outros, dedicaram tempo em pesquisas para a retomada da festa do Sairé. Após isso, dividiam-se em tarefas como ornamentação, ensaio de danças, confecção de indumentárias e vendas de iguarias na Praça 7 de setembro. Toda essa organização era executada de forma voluntária.

Após três décadas, o Sairé já havia perdido muito de sua essência original. Uma nova geração de Boraris ocupava a Vila sem conhecer os ritos, as danças, as canções e as tradições. A perda da memória coletiva foi, sem dúvida, a mais devastadora consequência da suspensão da festa por tanto tempo. Por isso, os “mais velhos” se desdobravam nas tarefas práticas e também na transmissão de saberes para os “mais jovens”. 

© Fotos de acervo